Guia de diagnóstico · Atualizado em 2026

O ar condicionado não arrefece ou só deita ar quente. O que fazer

Atualizado em julho de 20268 min de leituraPor VentoFix · instaladores de AVAC
Resposta rápida: comece pelo comando. Se o aparelho está em ventilação ou desumidificação, ou se a temperatura pedida é mais alta do que a da sala, ele sopra ar sem o arrefecer, e não tem avaria nenhuma. Se já verificou isso, limpou os filtros e continua igual, então há uma causa técnica, e este guia ajuda-o a perceber qual antes de pagar a quem quer que seja.

Acontece sempre no mesmo dia: o primeiro calor a sério, a casa a 30 graus, e o aparelho a soprar ar morno. Antes de telefonar a alguém, há dez minutos de verificações que qualquer pessoa pode fazer, e que resolvem uma parte destas chamadas.

O que se segue não substitui um técnico. Serve para chegar ao telefonema já a saber o que dizer.

Quatro coisas para verificar em dez minutos

1. O modo no comando. O símbolo do floco de neve é arrefecimento. O sol é aquecimento. A gota é desumidificação, que seca o ar mas quase não o arrefece. O símbolo da ventoinha é só ventilação: o aparelho sopra ar da sala, à temperatura da sala. Os próprios fabricantes põem isto como primeiro ponto a verificar.

Unidade interior de ar condicionado montada na parede, com o número 22 no visor e as grelhas de saída de ar abertas
Vinte e dois graus no visor. Se a sala estiver a vinte e um, o aparelho não tem nada para arrefecer. Foto: Zulfugar Karimov / Unsplash

2. A temperatura pedida. Para sair ar frio, o valor no comando tem de estar abaixo da temperatura da sala. Pedir 26 graus numa sala que está a 25 não faz o aparelho arrefecer nada.

3. Os filtros da unidade interior. Desligue o aparelho. Abre-se a tampa, saem dois filtros de rede, lavam-se em água morna, secam à sombra e voltam ao lugar. Os fabricantes sugerem fazê-lo de três em três meses. Um filtro entupido não faz o ar sair menos frio: faz sair menos ar, e o frio deixa de chegar ao canto oposto da sala.

4. A unidade exterior. Veja se não está entulhada de folhas, se ninguém encostou móveis ou caixas, se a ventoinha não tem nada a bloqueá-la. Desligue o aparelho no quadro antes de se aproximar, e limite-se a olhar e a retirar o que está à vista.

Se depois disto tudo o aparelho voltar ao normal, ótimo: gastou dez minutos e zero euros. Se não voltar, continue a ler: os sintomas que restam apontam para causas diferentes, e vale a pena saber qual é a sua.

Sopra, mas o ar sai à temperatura da sala

Já confirmou o modo, a temperatura e os filtros. A unidade interior trabalha, ouve-se a ventoinha, mas o ar não é frio.

Aqui há dois caminhos. Se a unidade exterior fica completamente muda, sem ventoinha nem zumbido, o problema é elétrico ou de comando. Se ela zumbe mas o compressor não pega, veja mais abaixo a secção sobre o condensador de arranque. E se ela arranca e trabalha, mas o ar continua morno, então o circuito de frio não está a fazer o seu trabalho: falta gás, ou há uma válvula que não comutou, ou o compressor não está a comprimir.

Nenhuma destas três causas se distingue de fora: é preciso manómetros e a mão na tubagem, e é para isso que serve o diagnóstico.

Arrefece pouco, e há gelo na tubagem

Este é o quadro clássico da falta de gás: o aparelho arrefece, mas devagar e mal; trabalha horas sem chegar à temperatura pedida; aparece gelo ou geada num dos tubos de cobre ou na própria unidade; às vezes ouve-se um assobio fino, e vêem-se manchas de óleo junto às uniões.

O gás de um ar condicionado não é um consumível. O circuito é fechado. Nas palavras da DECO PROteste, «em princípio, o gás refrigerante do ar condicionado não precisa de ser recarregado ao longo de toda a vida do aparelho»; a recarga só se justifica quando há fuga, e a fuga tem de ser reparada primeiro. Se o gás baixou, é porque está a sair por algum lado.

Porque «meter só um bocadinho de gás» é dinheiro deitado fora

É a proposta mais comum ao telefone, e a mais cara a médio prazo. Uma recarga sem procura de fuga devolve o frio durante umas semanas, às vezes uns meses. Depois o gás sai outra vez pelo mesmo sítio, e paga-se a segunda recarga. E a terceira.

Há outra razão, menos óbvia. Um circuito com pouco gás faz o compressor trabalhar quente e mal lubrificado, e o compressor é a peça mais cara do aparelho, pelo que adiar a procura da fuga costuma custar mais do que repará-la.

Na nossa tabela, uma recarga simples custa 130 € a 145 € sem IVA. Uma fuga detectada e reparada, com recarga completa, fica entre 230 € e 330 €. A segunda parece a opção cara e costuma sair mais barata ao fim de dois verões, porque não se repete.

Está em frio, mas sai ar quente

Se o comando está em arrefecimento e o aparelho aquece a sala, há uma peça específica sob suspeita: a válvula de quatro vias, também chamada válvula inversora. É ela que inverte o ciclo, e é o que permite ao mesmo aparelho fazer frio no verão e calor no inverno.

Quando a bobine dessa válvula avaria, ou faz mau contacto, o ciclo fica preso no sentido errado. O aparelho continua a trabalhar normalmente, mas aquece a casa em agosto.

Muitas vezes a peça que falha é a bobine, e não a válvula inteira. Isso muda a conta: uma coisa é substituir um componente elétrico, outra é abrir o circuito, soldar e voltar a carregar o gás. Só o diagnóstico dirá qual das duas é.

Zumbe e não arranca

Vai à unidade exterior e ouve um zumbido grave, talvez um estalido, e depois silêncio. A ventoinha pode até rodar, mas o compressor não pega.

A primeira suspeita não é o compressor. É o condensador de arranque, a peça que lhe dá o empurrão inicial. É uma peça pequena e barata, que se degrada com o calor e com os anos. No nosso trabalho, ela está incluída no valor fixo da reparação no local, entre 199 € e 219 € sem IVA, porque a levamos na carrinha.

Se o condensador está bom e o compressor continua sem arrancar, aí sim a conversa muda, e passa a ser a que fizemos noutro guia: reparar ou substituir.

O que nunca deve fazer sozinho

Nada disto exige perícia: é a fronteira entre o que se limpa com um pano e o que precisa de instrumentos e de circuito despressurizado.

Quanto custa saber a causa

Um ar condicionado não se repara por telefone. O que fazemos é ir ao local, medir e entregar-lhe a causa por escrito, com o preço antes de qualquer trabalho.

ServiçoSem IVA
Diagnóstico no local, com relatório escrito75 – 110 €
Reparação no local, valor fixo (inclui condensador de arranque, sensores, relés, soldadura de fuga acessível)199 – 219 €
Recarga de gás, sem reparação da fuga130 – 145 €
Fuga detectada, reparada e recarga completa230 – 330 €
Placa eletrónica, motor ou compressorpor encomenda, com orçamento

Valores por região: diagnóstico 75 € em Lisboa e Setúbal, 85 € no Oeste, 95 € no Alentejo, 110 € no Algarve. Se avançar com a reparação no local, o diagnóstico é creditado por inteiro.

O que dizer quando telefonar

Seja a nós, seja a outro. Estas quatro frases poupam-lhe uma visita e, muitas vezes, dinheiro.

  1. «Está em modo de arrefecimento e a temperatura está abaixo da sala.» Elimina metade das falsas avarias.
  2. «Os filtros estão limpos.» Ou não estão, e diga-o também.
  3. «A unidade exterior arranca / não arranca.» É a informação que mais orienta o técnico.
  4. «Há gelo na tubagem» ou «zumbe e não pega». São dois quadros diferentes e levam peças diferentes na carrinha.
Já verificou tudo e continua sem arrefecer?

Vamos ao local, medimos e dizemos-lhe a causa por escrito, com o preço antes de qualquer trabalho. Se a reparação avançar no local, o diagnóstico é creditado por inteiro.

Pedir diagnóstico

Perguntas frequentes

Comece pelo comando: se estiver em ventilação ou desumidificação, o aparelho sopra ar sem o arrefecer. Confirme também que a temperatura pedida está abaixo da temperatura da sala. Se o modo estiver certo, lave os filtros. Se mesmo assim nada muda e a unidade exterior arranca, o problema está no circuito de frio: falta de gás, válvula inversora ou compressor, e isso vê-se com instrumentos.
É o sintoma típico da válvula de quatro vias, a peça que inverte o ciclo entre frio e calor. Quando a bobine dessa válvula avaria ou faz mau contacto, o aparelho fica preso no sentido errado. Nem sempre implica substituir a válvula inteira: muitas vezes falha só a bobine, que é um componente elétrico. O diagnóstico distingue os dois casos.
Pode, mas é dinheiro adiantado. O circuito é fechado e o gás não é um consumível: a DECO PROteste escreve que, em princípio, um aparelho não precisa de recarga ao longo de toda a vida. Se o nível baixou, há uma fuga. Uma recarga sem procura de fuga devolve o frio por umas semanas e o gás volta a sair pelo mesmo sítio. Além disso, um circuito com pouco gás faz o compressor trabalhar quente, e o compressor é a peça mais cara do aparelho.
Muitas vezes não. A primeira suspeita é o condensador de arranque, a peça que dá o empurrão inicial ao compressor: é pequena, barata e falha com o calor e com os anos. Na nossa reparação no local, entre 199 € e 219 € sem IVA, essa peça está incluída. Só se o condensador estiver bom e o compressor continuar parado é que a conta passa a ser outra.
O diagnóstico no local custa entre 75 € e 110 € sem IVA, conforme a região: 75 € em Lisboa e Setúbal, 85 € no Oeste, 95 € no Alentejo, 110 € no Algarve. Inclui deslocação, medições e relatório escrito com a causa e o orçamento. Se avançar com a reparação no local, esse valor é creditado por inteiro.

Se o diagnóstico apontar para uma peça grande, veja reparar ou substituir o ar condicionado, onde comparamos as duas contas. E se o aparelho já tem muitos anos, o guia de preços de instalação mostra quanto custa um novo.