O ar condicionado não arrefece ou só deita ar quente. O que fazer
Acontece sempre no mesmo dia: o primeiro calor a sério, a casa a 30 graus, e o aparelho a soprar ar morno. Antes de telefonar a alguém, há dez minutos de verificações que qualquer pessoa pode fazer, e que resolvem uma parte destas chamadas.
O que se segue não substitui um técnico. Serve para chegar ao telefonema já a saber o que dizer.
Quatro coisas para verificar em dez minutos
1. O modo no comando. O símbolo do floco de neve é arrefecimento. O sol é aquecimento. A gota é desumidificação, que seca o ar mas quase não o arrefece. O símbolo da ventoinha é só ventilação: o aparelho sopra ar da sala, à temperatura da sala. Os próprios fabricantes põem isto como primeiro ponto a verificar.
2. A temperatura pedida. Para sair ar frio, o valor no comando tem de estar abaixo da temperatura da sala. Pedir 26 graus numa sala que está a 25 não faz o aparelho arrefecer nada.
3. Os filtros da unidade interior. Desligue o aparelho. Abre-se a tampa, saem dois filtros de rede, lavam-se em água morna, secam à sombra e voltam ao lugar. Os fabricantes sugerem fazê-lo de três em três meses. Um filtro entupido não faz o ar sair menos frio: faz sair menos ar, e o frio deixa de chegar ao canto oposto da sala.
4. A unidade exterior. Veja se não está entulhada de folhas, se ninguém encostou móveis ou caixas, se a ventoinha não tem nada a bloqueá-la. Desligue o aparelho no quadro antes de se aproximar, e limite-se a olhar e a retirar o que está à vista.
Se depois disto tudo o aparelho voltar ao normal, ótimo: gastou dez minutos e zero euros. Se não voltar, continue a ler: os sintomas que restam apontam para causas diferentes, e vale a pena saber qual é a sua.
Sopra, mas o ar sai à temperatura da sala
Já confirmou o modo, a temperatura e os filtros. A unidade interior trabalha, ouve-se a ventoinha, mas o ar não é frio.
Aqui há dois caminhos. Se a unidade exterior fica completamente muda, sem ventoinha nem zumbido, o problema é elétrico ou de comando. Se ela zumbe mas o compressor não pega, veja mais abaixo a secção sobre o condensador de arranque. E se ela arranca e trabalha, mas o ar continua morno, então o circuito de frio não está a fazer o seu trabalho: falta gás, ou há uma válvula que não comutou, ou o compressor não está a comprimir.
Nenhuma destas três causas se distingue de fora: é preciso manómetros e a mão na tubagem, e é para isso que serve o diagnóstico.
Arrefece pouco, e há gelo na tubagem
Este é o quadro clássico da falta de gás: o aparelho arrefece, mas devagar e mal; trabalha horas sem chegar à temperatura pedida; aparece gelo ou geada num dos tubos de cobre ou na própria unidade; às vezes ouve-se um assobio fino, e vêem-se manchas de óleo junto às uniões.
Porque «meter só um bocadinho de gás» é dinheiro deitado fora
É a proposta mais comum ao telefone, e a mais cara a médio prazo. Uma recarga sem procura de fuga devolve o frio durante umas semanas, às vezes uns meses. Depois o gás sai outra vez pelo mesmo sítio, e paga-se a segunda recarga. E a terceira.
Há outra razão, menos óbvia. Um circuito com pouco gás faz o compressor trabalhar quente e mal lubrificado, e o compressor é a peça mais cara do aparelho, pelo que adiar a procura da fuga costuma custar mais do que repará-la.
Na nossa tabela, uma recarga simples custa 130 € a 145 € sem IVA. Uma fuga detectada e reparada, com recarga completa, fica entre 230 € e 330 €. A segunda parece a opção cara e costuma sair mais barata ao fim de dois verões, porque não se repete.
Está em frio, mas sai ar quente
Se o comando está em arrefecimento e o aparelho aquece a sala, há uma peça específica sob suspeita: a válvula de quatro vias, também chamada válvula inversora. É ela que inverte o ciclo, e é o que permite ao mesmo aparelho fazer frio no verão e calor no inverno.
Quando a bobine dessa válvula avaria, ou faz mau contacto, o ciclo fica preso no sentido errado. O aparelho continua a trabalhar normalmente, mas aquece a casa em agosto.
Muitas vezes a peça que falha é a bobine, e não a válvula inteira. Isso muda a conta: uma coisa é substituir um componente elétrico, outra é abrir o circuito, soldar e voltar a carregar o gás. Só o diagnóstico dirá qual das duas é.
Zumbe e não arranca
Vai à unidade exterior e ouve um zumbido grave, talvez um estalido, e depois silêncio. A ventoinha pode até rodar, mas o compressor não pega.
A primeira suspeita não é o compressor. É o condensador de arranque, a peça que lhe dá o empurrão inicial. É uma peça pequena e barata, que se degrada com o calor e com os anos. No nosso trabalho, ela está incluída no valor fixo da reparação no local, entre 199 € e 219 € sem IVA, porque a levamos na carrinha.
Se o condensador está bom e o compressor continua sem arrancar, aí sim a conversa muda, e passa a ser a que fizemos noutro guia: reparar ou substituir.
O que nunca deve fazer sozinho
- Lavar a unidade exterior com máquina de alta pressão. A água dobra as palhetas de alumínio do permutador e entra na parte elétrica. Uma escova macia e água à mão chegam para a sujidade à vista.
- Abrir tampas e mexer na parte elétrica. Lá dentro há condensadores que guardam carga mesmo com o aparelho desligado.
- Carregar gás com uma lata comprada online. É um circuito fechado, sob pressão, e o tipo e a quantidade de gás não se adivinham. Gás a mais ou a menos estraga o compressor, e sem procurar a fuga ele volta a sair.
- Desmontar a unidade interior para «limpar por dentro». Tirar os filtros e lavá-los é o limite. O permutador e o dreno são serviço de técnico.
Nada disto exige perícia: é a fronteira entre o que se limpa com um pano e o que precisa de instrumentos e de circuito despressurizado.
Quanto custa saber a causa
Um ar condicionado não se repara por telefone. O que fazemos é ir ao local, medir e entregar-lhe a causa por escrito, com o preço antes de qualquer trabalho.
| Serviço | Sem IVA |
|---|---|
| Diagnóstico no local, com relatório escrito | 75 – 110 € |
| Reparação no local, valor fixo (inclui condensador de arranque, sensores, relés, soldadura de fuga acessível) | 199 – 219 € |
| Recarga de gás, sem reparação da fuga | 130 – 145 € |
| Fuga detectada, reparada e recarga completa | 230 – 330 € |
| Placa eletrónica, motor ou compressor | por encomenda, com orçamento |
Valores por região: diagnóstico 75 € em Lisboa e Setúbal, 85 € no Oeste, 95 € no Alentejo, 110 € no Algarve. Se avançar com a reparação no local, o diagnóstico é creditado por inteiro.
O que dizer quando telefonar
Seja a nós, seja a outro. Estas quatro frases poupam-lhe uma visita e, muitas vezes, dinheiro.
- «Está em modo de arrefecimento e a temperatura está abaixo da sala.» Elimina metade das falsas avarias.
- «Os filtros estão limpos.» Ou não estão, e diga-o também.
- «A unidade exterior arranca / não arranca.» É a informação que mais orienta o técnico.
- «Há gelo na tubagem» ou «zumbe e não pega». São dois quadros diferentes e levam peças diferentes na carrinha.
Vamos ao local, medimos e dizemos-lhe a causa por escrito, com o preço antes de qualquer trabalho. Se a reparação avançar no local, o diagnóstico é creditado por inteiro.
Pedir diagnósticoPerguntas frequentes
Se o diagnóstico apontar para uma peça grande, veja reparar ou substituir o ar condicionado, onde comparamos as duas contas. E se o aparelho já tem muitos anos, o guia de preços de instalação mostra quanto custa um novo.