Guia de custos · Atualizado em 2026

Aquecer a casa com ar condicionado: quanto custa cada kWh de calor em 2026

Atualizado em agosto de 20269 min de leituraPor VentoFix · instaladores de AVAC
Resposta rápida: com a tarifa regulada de 2026, um kWh de calor custa 0,203 € num aquecedor a óleo e 0,044 € num ar condicionado de classe A++. É o mesmo calor pelo mesmo contador, a cerca de um quinto do preço. A DECO PROteste publicou o cálculo para um cenário de utilização definido — 4 horas por dia, 5 dias por semana, durante 5 meses — e nele o ar condicionado consome 3,9 vezes menos do que um termoventilador. É com esse número que vamos fazer as contas deste guia.

Este guia é sobre aquecer o ambiente. Se o que quer é água quente do duche, a conversa é outra e está aqui. E vale a pena fixar isto antes de telefonar a alguém: o ar condicionado é uma bomba de calor, do tipo ar-ar — quem pede «bomba de calor» ao balcão costuma receber o orçamento de outro equipamento. Todas as contas que se seguem usam 0,2034 €/kWh de eletricidade: tarifa regulada 2026, tarifa simples, com IVA a 23%.

Quanto custa 1 kWh de calor, por cada forma de aquecer

Base de cálculo: o termo de energia da tarifa regulada fixado pela ERSE para 2026 — 0,1654 €/kWh sem IVA (ERSE, «Tarifas e preços para a energia elétrica em 2026», Quadro 3-65, em vigor desde 1 de janeiro). Com IVA a 23%, porque quem aquece passa quase sempre dos 200 kWh por 30 dias: 0,1654 × 1,23 = 0,2034 €/kWh.

Como aquece€ por kWh de calorComo se chega lá
Aquecedor a óleo, termoventilador, convetor, emissor térmico0,2030,2034 ÷ 1,00
Ar condicionado no mínimo legal para R-32 (SCOP 3,80)0,0540,2034 ÷ 3,80
Ar condicionado classe A+ (SCOP 4,00)0,0510,2034 ÷ 4,00
Ar condicionado classe A++ (SCOP 4,60)0,0440,2034 ÷ 4,60
Ar condicionado classe A+++ (SCOP 5,10)0,0400,2034 ÷ 5,10
O mesmo A++, a aquecer em horas de vazio (bi-horário)0,0290,1337 ÷ 4,60
Bomba de calor ar-água com piso radiante, água a 35 °C0,0430,2034 ÷ 4,72
A mesma máquina ligada a radiadores, água a 55 °C0,0600,2034 ÷ 3,39
Pellets à palete, já com o rendimento da salamandra≈ 0,0650,256 €/kg ÷ 4,6 kWh/kg ÷ 0,85

Uma precisão sobre o IVA, para o valor não ser lido como «o preço da eletricidade em Portugal»: 0,2034 €/kWh é o consumo tributado à taxa normal de 23% — o que excede os primeiros 200 kWh de cada 30 dias, ou a totalidade do consumo quando a potência contratada ultrapassa 6,9 kVA. É esta a taxa que se aplica ao aquecimento, porque ele acresce ao consumo de base do agregado. Nesses primeiros 200 kWh, com potência até 6,9 kVA, a taxa é de 6% e o mesmo termo de energia corresponde a 0,1753 €/kWh. Estes valores são o termo de energia da tarifa regulada e não incluem o termo de potência nem as taxas fixas da fatura.

Fontes das linhas: efeito de Joule e ADENE, Guia da Eficiência Energética, p. 46 · Regulamento (UE) n.º 206/2012, Anexo I · Regulamento Delegado (UE) n.º 626/2011, Anexo II, Tabela 1 · catálogo Daikin Altherma 3 M EDLA09D · palete de pellets ENplus A1 consultada em agosto de 2026.

Para ler a etiqueta na loja sem intermediários: A+++ é SCOP ≥ 5,10; A++ é 4,60 a 5,09; A+ é 4,00 a 4,59. Desde 2014 nenhum aparelho abaixo de 6 kW com fluido de PAG superior a 150 — é o caso do R-32, o mais vendido — pode ser colocado no mercado europeu com SCOP inferior a 3,80, pelo que um aparelho novo cai quase sempre em A+ ou melhor. E repare: o mesmo aparelho tem uma classe a arrefecer (SEER) e outra a aquecer (SCOP). É a segunda que lhe interessa em janeiro.

A aritmética acima é a da etiqueta. A DECO PROteste fez a conta para um caso de uso concreto: no cenário publicado a 31 de outubro de 2025, o mesmo calor sai a 787 kWh num termoventilador e 200 kWh num ar condicionado fixo — 3,9 vezes — abaixo do que a razão entre os SCOP das etiquetas faria esperar, porque o cenário conta arranques, degelos e uma casa que não é um laboratório. O cenário da DECO são 4 horas por dia, 5 dias por semana, 5 meses, numa única divisão.

Ficaram quatro coisas de fora, de propósito: gás natural, gás de botija, lenha e gasóleo. Para nenhuma delas temos uma fonte portuguesa firme que ligue o preço do combustível ao rendimento real do aparelho, e um número por kWh de calor sem esse passo não é comparável com as linhas acima. Do gás de botija sabe-se que a DECO o desaconselha, por segurança e porque liberta vapor de água dentro de casa; da lareira aberta, que manda a maior parte do calor pela chaminé.

Como uma bomba de calor entrega 4,6 kWh de calor com 1 kWh de eletricidade Esquema: a unidade exterior retira calor do ar frio da rua, o compressor consome 1 kWh de eletricidade, e a unidade interior entrega 4,6 kWh de calor à sala. A barra em baixo mostra que 3,6 desses 4,6 kWh vieram do ar exterior e não da fatura. A BOMBA DE CALOR NÃO FABRICA CALOR: TRANSPORTA-O É por isto que 1 kWh pago na fatura entrega 4,6 kWh de calor num aparelho de classe A++. LÁ FORA · ar a 8 °C mesmo a 8 °C o ar tem mais calor do que a sua casa precisa DENTRO · sala a 21 °C o calor entra pela unidade interior, sem chama nem resistência unidade exterior unidade interior 3,6 kWh de calor do ar não passam pelo contador 1 kWh de eletricidade o que paga na fatura COM-PRESSOR 4,6 kWh de calor entregues à divisão 1 kWh pago 3,6 kWh tirados do ar exterior — de graça
O compressor não fabrica calor: gasta 1 kWh para bombear 3,6 kWh que já estavam no ar da rua. É dessa soma que sai o SCOP 4,6 da etiqueta.

Onde vai o dinheiro: o aparelho não decide sozinho

O SCOP está na tabela acima. Há três coisas que pesam tanto ou mais.

O preço do seu kWh. Em agosto de 2026 as tarifas simples mais baratas do mercado livre a 6,9 kVA iam de 0,1353 a 0,1606 €/kWh sem IVA, entre 3% e 18% abaixo do regulado, onde ainda estavam cerca de 817 mil clientes. Antes de trocar de equipamento, veja se não deve trocar de tarifário. Este conselho não nos vende nada.

O IVA da eletricidade. A taxa de 6% aplica-se só aos primeiros 200 kWh de cada 30 dias (300 kWh em agregados de cinco ou mais) e só com potência contratada até 6,9 kVA; acima disso, 23%. Nesses primeiros 200 kWh o kWh regulado fica a 0,1753 €; a partir daí, a 0,2034 €. A consequência que quase ninguém escreve é esta: aquecer empurra o consumo para cima do limite logo no primeiro mês frio, portanto, praticamente todo o kWh de aquecimento é faturado a 23%, e a fatura de janeiro sobe mais do que proporcionalmente ao que ligou.

A envolvente, que a DECO classifica como o fator mais determinante: vidros duplos, cortinas grossas de noite, frinchas vedadas, portas fechadas nas divisões aquecidas. Um especialista da DECO PROteste resumiu-o ao ECO: aquecer casas ineficientes «é como colocar água dentro de um balde furado». Um ar condicionado não conserta isolamento.

Contas feitas para um T3 no Barreiro, linha a linha

O caso é construído; os números são todos publicados. T3 de 85 m², prédio de 1978 — metade dos edifícios portugueses é anterior a 1981, segundo o INE em «O Parque Habitacional» (2024) — casal com dois filhos, 6,9 kVA, tarifa regulada simples. Hoje têm dois aquecedores a óleo de 2 000 W, um na sala e outro no quarto do casal, um termoventilador no quarto dos miúdos à hora do banho, e mantas no sofá. A fatura base, antes de aquecer, é de 95,03 €/mês, o valor médio publicado pela ERSE para este perfil.

Partimos do cenário medido pela DECO: 787 kWh ao termoventilador e 200 kWh ao ar condicionado, para o mesmo calor. Esta família aquece duas divisões e está em casa ao fim de semana, sete dias em vez de cinco. Multiplicador: 2 × 7/5 = 2,8.

Cinco meses de invernokWhCusto
Resistência elétrica (787 × 2,8)2 204448 € ≈ 90 €/mês
Ar condicionado, ao rendimento do cenário DECO (200 × 2,8)560114 € ≈ 23 €/mês
Diferença334 € por inverno

O investimento, aos nossos preços de instalação de ar condicionado: um mono-split de 12 000 BTU na sala e um de 9 000 BTU no quarto dão a partir de 1 749 € + IVA, ou seja, 2 151 € com IVA a 23%. Uma sala maior ou pior isolada sobe um tamanho de equipamento, e o retorno alonga-se na mesma proporção. Fornecimento e instalação, chave-na-mão. A repartição parcela a parcela — tubagem, ligação elétrica, suportes, vácuo — está no guia de preços de instalação.

Em instalação nova, dois mono-splits ficam abaixo de um multi-split 2×1. Em contrapartida, ficam duas unidades exteriores na fachada em vez de uma.

Unidade interior de ar condicionado instalada na parede de uma sala, acima do rodapé do teto
A mesma unidade que arrefece em agosto aquece em janeiro. O que muda é o sentido em que o gás circula.

Retorno: 2 151 € ÷ 334 €/inverno = 6,4 invernos, contando só o aquecimento e sem manutenção. A revisão custa 85 € + IVA por aparelho: com um revisto por ano o retorno passa a cerca de 9 invernos, com os dois a 17. Só que a manutenção não é um custo do aquecimento — o mesmo equipamento arrefece no verão, e é aí que a conta muda de figura. Melhora em duas situações: se a família também quiser arrefecer no verão, porque é o mesmo equipamento e não custa mais nada; e se hoje já gasta mais do que estes 90 €/mês, porque a poupança é proporcional ao que já paga. Repare no sentido contrário: mudar para um tarifário mais barato encurta a fatura mas alonga este retorno, porque reduz a diferença entre as duas linhas.

Porque é que a etiqueta foi medida para um inverno que Portugal não tem

O SCOP impresso na caixa é, por defeito, o da estação de aquecimento média, cujo ponto de projeto é −10 °C (Regulamento (UE) n.º 206/2012, Anexo II); a norma EN 14825 usa Estrasburgo como cidade de referência para esse perfil.

Potência de aquecimento em função da temperatura exterior, com os invernos portugueses marcados Gráfico: a potência de aquecimento de um split de 2,5 kW nominais desce de 3,2 kW a mais 7 graus para 2,4 kW a menos 10 graus. O ponto de projeto da etiqueta europeia fica a menos 10 graus, enquanto as mínimas médias de janeiro de Lisboa, Setúbal e Guarda ficam todas acima de zero. A ETIQUETA FOI MEDIDA PARA UM INVERNO QUE PORTUGAL NÃO TEM Potência de aquecimento de um split de 2,5 kW nominais, em função da temperatura da rua. todas as mínimas portuguesas ficam aqui 0123 kW de calor −10 °C−5 °C0 °C+5 °C+10 °C temperatura do ar exterior 2,4 kW 3,2 kW ponto de projeto da etiqueta estação média, EN 14825 · Estrasburgo Guarda 1,5 °C Setúbal 5,2 °C Lisboa 8,6 °C mínima média de janeiro · normais IPMA 1991-2020 a máquina ainda dá 75% da potência no ponto mais frio da norma
O SCOP impresso na caixa foi medido para uma estação cujo ponto de projeto é −10 °C. As mínimas médias de janeiro de Lisboa, Setúbal e Guarda ficam todas acima de zero — e é por isso que o aparelho trabalha quase sempre à direita do ponto onde a etiqueta o foi medir.

Os números portugueses estão no gráfico acima. Mínima média de janeiro, normais do IPMA 1991-2020: Lisboa 8,6 °C e nenhum dia de geada por ano; Setúbal 5,2 °C e 6,5 dias; Guarda 1,5 °C e 31,9 dias. Pelo zonamento de inverno do Manual SCE, a Península de Setúbal tem 1 045 graus-dias e 4,7 meses de estação de aquecimento, a Grande Lisboa 1 071 e 5,3 — contra 1 924 e 7,5 meses na Beira Interior Norte. Quase toda a área onde trabalhamos está na zona I1, a mais amena do país. Quem vive em Sintra alta, na serra da Arrábida ou no interior tem outra conta a fazer.

A potência também não cai a pique quando arrefece: desce devagar. Um split doméstico corrente de 2,5 kW nominais entrega 3,2 kW de calor a +7 °C exteriores e 2,4 kW a −10 °C, ou seja, 75%, com gama de funcionamento garantida em aquecimento até −20 °C e sem resistência elétrica de apoio (ficha técnica Mitsubishi Electric MSZ-AY). Funcionar até −20 °C não é o mesmo que manter a eficiência: bem abaixo de zero o COP cai, e é por isso que o interior do país exige outro dimensionamento.

Unidade exterior de ar condicionado fixada na parede exterior de um edifício
É nesta unidade que se forma o gelo — e é por isso que a máquina para uns minutos em noites húmidas.

O degelo. O gelo forma-se no permutador exterior sobretudo entre cerca de −7 °C e +5 °C com humidade alta, e o ciclo de degelo dura tipicamente 5 a 15 minutos (valores típicos de fabricante). Note-se o inverso do que se espera: no litoral português o degelo acontece mais do que no interior frio, porque o gatilho não é o frio, é a humidade. Uma noite de 6 °C com nevoeiro no Seixal dá mais ciclos de degelo do que uma noite seca de −2 °C.

Como se liga. Uma potência baixa e contínua rende mais do que ligar e desligar aos picos, sobretudo em paredes pesadas de betão dos anos 70, que absorvem calor durante horas antes de o devolverem. Em bi-horário, a energia em vazio custa 0,1087 €/kWh sem IVA — 0,1337 com IVA — contra 0,1988 sem IVA e 0,2445 com IVA fora de vazio; com um SCOP de 4,60, isso dá 0,029 €/kWh de calor. Este número só é seu se aquecer mesmo de noite ou de madrugada.

E se o aparelho aquece pior este inverno do que no anterior, o problema costuma ser filtro, carga de gás ou permutador exterior entupido. A revisão antes de ligar o calor custa 85 € + IVA por equipamento, na visita básica.

Quando o ar condicionado não é a escolha certa para aquecer

Divisões sem unidade interior ficam frias na mesma. Corredores, casas de banho, quartos de porta fechada. A DECO recomenda aquecer só os espaços ocupados, e em contas isso está certo — mas cria contraste térmico entre divisões, e com bebés em casa isso pesa.

Sala aberta com escada ou pé-direito alto. Já vimos isto em casa de clientes: sala grande aberta para a caixa de escadas, os quartos aquecem bem e, ao fim de duas horas, a sala continua fria. O ar quente estratifica e sobe. A ISO 7730:2005 reconhece a diferença vertical de temperatura entre a cabeça e os tornozelos como causa de desconforto local.

Apartamento sem sítio autorizado para a unidade exterior. A fachada é parte comum e a colocação carece, em regra, de autorização do condomínio. A unidade exterior de um sistema ar-ar mede cerca de 95 cm de largura por 80 de altura e 35 de profundidade. Isto resolve-se antes de encomendar equipamento, não depois.

Uma divisão usada 20 ou 30 minutos por dia. Substituir um aquecedor portátil de 20 € nunca se paga. A DECO admite os portáteis para uso pontual e desaconselha-os apenas para aquecer divisões de forma regular. Se o seu caso é a casa de banho às sete da manhã, não instale nada.

A qualidade do calor. Quem vem de radiadores de água diz muitas vezes que o calor do ar não é o mesmo, e tem razão em parte — a diferença está explicada na secção de perguntas, mas resume-se ao ar em movimento. Há unidades de chão pensadas para aquecimento, que distribuem o ar a partir da base, e ficam ligeiramente abaixo dos melhores modelos de parede na etiqueta.

Split R-410A com mais de dez anos que aquece mal. Pode não ser a tecnologia, pode ser o aparelho. Essa decisão está noutro guia.

A casa fria não fica de graça: bolor, condensação e paredes estragadas

Segundo o INE, em Rendimento e Condições de Vida 2025, 15,6% da população não tem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida, e a proporção sobe para 30,6% entre a população em risco de pobreza. Do mesmo inquérito: 32,1% vive em alojamentos com infiltração no teto, humidade nas paredes ou apodrecimento de janelas ou soalho — o valor mais alto de toda a série 2015-2025.

As duas coisas juntam-se de forma previsível. Uma parede fria é onde o vapor condensa — e o aquecedor a gás de botija, como já se disse acima, acrescenta-lhe vapor. Quem passa de aquecimento pontual para calor contínuo costuma notar primeiro uma coisa banal: as janelas deixam de amanhecer a escorrer.

O limite é este: aquecer reduz a condensação porque sobe a temperatura das superfícies, mas não substitui ventilação. Se já tem bolor instalado, o problema é de ar, e trata-se por aqui.

O que verificar antes de instalar — comece pelo aparelho que já tem

Verifique primeiro se o que já tem aquece. Procure o ícone do sol no comando, além do floco de neve; leia a chapa da unidade exterior à procura de «reversível», «bomba de calor» ou «heat pump», e não «só frio»; ou confirme o número do modelo no site do fabricante. Segundo a DECO, 65% das casas portuguesas têm pelo menos um aquecedor portátil — e muitas delas têm, na parede da sala, um aparelho que já aquece e nunca foi usado para isso. Se o seu split aquece, use-o uma semana antes de comprar seja o que for.

Potência contratada. O modo aquecimento puxa mais do que o arrefecimento, e três unidades mais o forno num quadro pequeno disparam o disjuntor. Subir de 3,45 para 6,9 kVA custa mais 0,1742 €/dia de termo de potência sem IVA. E há uma segunda conta que ninguém mostra: até 3,45 kVA a componente fixa leva IVA a 6%, acima disso leva 23%. Somando as duas coisas, a subida de escalão sai a cerca de 90 € por ano (ERSE, tarifas 2026, e Código do IVA, Lista I, verba 2.33). É um custo fixo que quase nunca aparece antes da venda.

Não dimensione o aquecimento com a regra do verão. As regras de BTU por metro quadrado que se publicam por aí, incluindo as nossas, são regras de arrefecimento. Já vimos que o mesmo aparelho de 2,5 kW nominais dá 3,2 kW a aquecer aos +7 °C e apenas 2,4 kW aos −10 °C. Em casas mal isoladas, a carga de aquecimento é frequentemente a maior das duas.

Não leve o maior «por segurança». Um split doméstico modula em aquecimento entre cerca de 1,0 e 4,1 kW e abaixo do mínimo não consegue ir: num quarto pequeno já aquecido, é isso que o faz andar aos arranques, com ruído e menos conforto. Num multi-split, aumentar a potência de uma unidade interior pode obrigar a uma unidade exterior maior e menos eficiente. E cuidado com os aparelhos não-inverter das grandes superfícies, que ligam e desligam e só voltam a arrancar com a divisão quase fria — é o assunto do guia sobre comprar na loja.

A lista completa do que tem de vir discriminado num orçamento está no guia de preços de instalação. Se um orçamento for bastante mais barato do que os outros, a pergunta certa não é porque é que os outros são caros — é o que é que falta naquele.

Ar-ar ou ar-água: qual das duas conversas é a sua

Primeiro, uma correção a algo que se lê em muitos sites portugueses de referência: um multi-split ar-ar não é aquecimento central. Não tem circuito de água, não tem radiadores, não tem piso radiante e não faz água quente. É um conjunto de bombas de calor ar-ar a aquecer o ar de cada divisão onde existe uma unidade interior.

Dentro do ar-água, o número que decide tudo é a temperatura da água. A mesma bomba ar-água dá SCOP 4,72 com água a 35 °C e 3,39 com água a 55 °C — uma queda de 28% na mesma máquina, só por subir a temperatura de saída. Ligada aos radiadores antigos que já tem em casa, fica abaixo de um split de parede vulgar. É por isto que vê duas classes energéticas na mesma bomba ar-água: a que lhe diz respeito é a de 55 °C se tem radiadores, e a de 35 °C se tem piso radiante.

Qual das duas serve a sua casa depende de existir, ou não, circuito de água e emissor de baixa temperatura. Essa comparação, com potências e preços por região, está feita na página de bombas de calor.

Perguntas frequentes

Se aquece e não tem avarias, use-o: mesmo um aparelho antigo com SCOP baixo sai mais barato por kWh de calor do que qualquer resistência elétrica. O que muda é a margem, e o custo de uma eventual recarga: o R-410A está em eliminação progressiva na Europa e a recarga custa entre 180 e 400 €. Faça-lhe uma revisão antes de ligar o calor e decida pelo que ela encontrar, não pela idade.
Depende dos kW que o aparelho puxa, não dos BTU escritos na caixa. Do cenário da DECO PROteste (200 kWh em cerca de 435 horas) deduz-se uma potência média de cerca de 0,46 kW, o que a 0,2034 €/kWh dá aproximadamente 9 cêntimos por hora; o termoventilador do mesmo cenário fica em cerca de 37 cêntimos. Quem assume que um aquecedor a óleo de 2 000 W consome 2 000 W de forma contínua exagera a diferença: ele tem termóstato e liga e desliga. A diferença do cenário da DECO são as tais 3,9 vezes.
Não: é o ciclo de degelo. Com humidade alta forma-se gelo no permutador exterior, o aparelho inverte o ciclo para o derreter e, durante esse período — tipicamente 5 a 15 minutos — não entrega calor lá dentro. O vapor que vê é água a evaporar. No litoral acontece mais do que no interior frio, porque o gatilho é a humidade e não o frio. Só é sintoma de avaria se o aparelho nunca retomar o aquecimento.
Em aquecimento não retira uma gota de água à casa: o permutador interior funciona como condensador, está mais quente do que o ar da sala e nunca desce abaixo do ponto de orvalho. Pode confirmá-lo sozinho — no verão a água pinga da unidade interior, no inverno pinga da unidade exterior. O que baixa é a humidade relativa, porque o ar mais quente retém mais vapor de água, e isso acontece exatamente igual com um aquecedor a óleo ou com um radiador de água. A diferença real do split é mover muito ar, e o ar em movimento aumenta a evaporação na pele: sente-se mais seco sem o ar estar mais seco.
Não há medição portuguesa para isto, e o que se segue é raciocínio técnico. As perdas de uma casa são proporcionais à diferença de temperatura, portanto, qualquer período mais frio poupa energia; mas um aparelho inverter, que regula a potência em vez de ligar e desligar, rende melhor em carga parcial do que a arrancar sempre no máximo. Para ausências de poucas horas compensa mais baixar 2 ou 3 °C do que desligar; para um dia inteiro fora, desligar compensa quase sempre; e numa casa de paredes pesadas, uma potência baixa e contínua rende mais do que ligar e desligar aos picos.

Se a conta fecha para a sua casa, o passo seguinte é ver o que entra no preço e quanto custa na sua zona: instalação de ar condicionado para aquecer as divisões onde está, ou bombas de calor se o que quer é a casa toda mais a água quente.

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