Substituir a caldeira por uma bomba de calor: o que custa e o que poupa em 2026
Este guia é sobre aquecimento central a água — caldeira, radiadores ou piso radiante. Se a sua casa não tem radiadores e quer aquecê-la com splits, a conta é outra e está no guia do aquecimento com ar condicionado; se o tema é só a água do duche, está no guia da bomba de calor para AQS. Todas as contas usam a tarifa regulada de eletricidade de 2026: 0,2034 €/kWh com IVA a 23%.
Posso manter os radiadores que já tenho?
É a pergunta certa para começar, porque é ela que separa uma substituição simples de um projeto caro. Os radiadores de instalação antiga foram dimensionados para a água a 60–75 °C que uma caldeira produz sem esforço. Uma bomba de calor ar-água rende bem até cerca de 55 °C de impulsão — acima disso o rendimento cai e o custo por kWh sobe. A área do radiador é fixa: com água mais fria, cada radiador entrega menos calor à divisão.
Na prática há três desfechos, por ordem de frequência. Primeiro: os radiadores chegam — se a caldeira estava regulada a 55–60 °C e a casa aquecia, a bomba de calor entra no lugar dela e acabou-se a conversa. Foi o caso de um proprietário que acompanhámos num fórum português: máquina limitada a 55 °C, «não precisa de mais». Segundo: chegam quase — a solução é acrescentar elementos aos dois ou três radiadores mais justos, não trocar a casa toda. Terceiro, mais raro: a casa só aquecia com água muito quente, e aí ou se reforçam os radiadores ou se olha para máquinas de alta temperatura (65–75 °C), que existem, mas rendem menos por kWh e custam mais.
Quanto custa 1 kWh de calor: caldeira contra bomba de calor
A comparação honesta não é «gás contra eletricidade» — é o custo de cada kWh de calor entregue à casa, já com o rendimento do aparelho dentro. Para as caldeiras usámos 90% de rendimento, o meio da gama real (85 a 92%); quem tem uma caldeira velha rende menos e paga mais por kWh do que a tabela mostra.
| Como aquece a água | € por kWh de calor | Como se chega lá |
|---|---|---|
| Caldeira a gasóleo de aquecimento | ≈ 0,235 | 2,114 €/L ÷ 10 kWh/L ÷ 0,90 |
| Caldeira a propano de garrafa (45 kg) | 0,21–0,26 | 110–134 € ÷ 576 kWh ÷ 0,90 |
| Caldeira a gás natural canalizado | 0,13–0,14 | 0,115–0,130 €/kWh ÷ 0,90 |
| Bomba de calor ar-água, radiadores a 55 °C | 0,060 | 0,2034 ÷ 3,39 |
| A mesma máquina com água a 35 °C | 0,043 | 0,2034 ÷ 4,72 |
| A mesma máquina, a aquecer em horas de vazio | 0,039 | 0,1337 ÷ 3,39 |
Fontes: gasóleo de aquecimento — preço médio nacional dos postos que reportam à DGEG, 10 de setembro de 2026; propano — garrafa de 45 kg entre o preço de venda em revendedor e o máximo registado pela ENSE, com 12,8 kWh por kg; eletricidade — termo de energia da tarifa regulada ERSE 2026 com IVA a 23% (vazio do bi-horário: 0,1337 €/kWh); SCOP — catálogo Daikin Altherma 3 M, água a 35 °C e a 55 °C.
Leia a tabela de baixo para cima: mesmo no pior caso da bomba de calor — radiadores antigos, água a 55 °C, tarifa simples — o kWh de calor custa quase quatro vezes menos do que com gasóleo ou propano. Com gás natural a distância encurta para cerca de duas vezes, e é por isso que a resposta à pergunta «vale a pena?» depende do combustível de onde vem — voltamos a isso nas contas e nas perguntas finais.
Quanto custa substituir, e o que tem de estar no orçamento
Uma substituição direta — a máquina no lugar da caldeira, radiadores mantidos — custa na nossa tabela de 2026, chave-na-mão com IVA, a partir de 5 999 € para um kit de 7 kW, chegando aos 8 999 € nas zonas com mais deslocação; a versão de 12 kW com produção de águas quentes vai de 7 499 a 11 999 €. Os preços por zona, com o que cada kit inclui, estão na página de bombas de calor — aqui interessa outra coisa: o que tem de estar dentro de qualquer orçamento, seja nosso ou de outro instalador.
Mais importante do que o número final é o que está lá dentro. Um orçamento sério para ar-água tem de incluir o depósito de inércia, os vasos de expansão, a ligação às águas quentes quando aplicável, a remoção da caldeira antiga, a ficha de intervenção F-Gas e o projeto técnico — o cálculo das perdas da casa que dita os kW da máquina. Quando dois orçamentos para a mesma moradia diferem muito, a diferença está quase sempre aqui: vimos o caso real de uma casa com seis radiadores que recebeu uma proposta de 8,5 kW com projeto, de um instalador independente, e outra de 12 kW de uma grande superfície — sem cálculo. Quatro kW a mais não são «reserva»: são máquina paga a mais e a trabalhar fora do ponto ótimo durante quinze anos.
Contas feitas para uma moradia a propano, linha a linha
Uma moradia de uns 120 m² com seis radiadores, aquecida cinco meses por ano, precisa de qualquer coisa como 6 000 kWh de calor por época. Eis o que isso custa antes e depois, com os preços de setembro de 2026:
| Linha | Caldeira a propano | Bomba de calor (mesmos radiadores) |
|---|---|---|
| Energia comprada | 6 000 ÷ 0,90 ÷ 12,8 ≈ 520 kg — 11 a 12 garrafas de 45 kg | 6 000 ÷ 3,39 ≈ 1 770 kWh de eletricidade |
| Custo da época | 1 300–1 500 € | ≈ 360 € |
| Manutenção anual | ≈ 150 € (obrigatória) | revisão recomendada, valor semelhante |
| Diferença por inverno | ≈ 1 000 € a favor da bomba de calor | |
Com o kit de 5 999 a 6 299 €, a poupança paga a máquina em cerca de seis invernos — e contámos a manutenção dos dois lados como empate, de propósito, para a conta não ficar bonita à custa de esquecer a revisão da bomba de calor. A conta melhora se mudar para bi-horário e concentrar o aquecimento nas horas de vazio, e piora num inverno suave em que se aquece menos: menos consumo significa menos poupança. Quem parte de gasóleo chega a números quase iguais — 6 000 kWh são uns 670 litros, cerca de 1 400 € ao preço médio de hoje.
O que muda no dia a dia: a casa aquece de outra maneira
Isto é o que ninguém diz no orçamento e é a principal queixa de quem não foi avisado. Uma caldeira despeja 20 ou 25 kW e recupera uma casa fria em duas ou três horas; um sistema ar-água de 7 kW não — e não é suposto. Ela foi pensada para manter a casa na temperatura, a modular potência baixa de forma contínua. Quem a usa como usava a caldeira — desligar tudo, chegar a casa, ligar no máximo — obriga a resistência elétrica de apoio a entrar, e a resistência aquece a preço de termoventilador: 0,203 €/kWh, o triplo do compressor.
Os radiadores também mudam de temperamento: com água a 45–55 °C ficam mornos em vez de escaldantes, e é normal — estão a entregar o mesmo calor durante mais horas. O que se ganha é uma casa a temperatura constante e uma fatura que se vê ao mês, não à garrafa; o que se perde é o arranque-relâmpago e o hábito de aquecer «só quando é preciso». Este perfil de funcionamento longo e de madrugada é, já agora, o cliente ideal do bi-horário: as horas de vazio a 0,1337 €/kWh descem o calor a 55 °C para 0,039 €/kWh — seis vezes e meia mais barato do que o propano.
O custo de adiar a decisão
Adiar também tem preço, e é fácil de calcular: é a fatura de combustível de mais um inverno. Para a moradia do exemplo, cada época adiada são 1 300 a 1 500 € de propano ou gasóleo mais 150 € de manutenção obrigatória da caldeira — dinheiro que aquece a casa uma vez e desaparece. E a tendência não ajuda: o relatório mensal da ENSE registou uma subida de 32% no gasóleo num ano, enquanto o termo de energia da tarifa regulada de eletricidade é fixado pela ERSE e mudou pouco. A cada inverno que passa, a distância entre as duas colunas da tabela alarga.
Os erros que vemos nas moradias
Comprar kW sem cálculo. A máquina certa sai do cálculo das perdas da casa, não do tamanho da que lá estava — a caldeira antiga estava quase de certeza sobredimensionada. Desligar à noite. Já explicámos porquê: resistência de apoio a preço triplo. Assinar sem verificar os radiadores. Se ninguém lhe perguntou a que temperatura trabalhava a caldeira nem contou os elementos dos radiadores, o orçamento foi feito às cegas. Escolher pela marca e não pelo instalador. Em ar-água, o desenho hidráulico — inércia, caudais, equilíbrio dos radiadores — pesa mais no resultado do que o logótipo da máquina; uma boa máquina mal instalada rende pior do que uma média bem instalada.
Antes de pedir orçamentos, junte quatro coisas: fotografias dos radiadores com o número de elementos de cada um, a chapa de características da caldeira, a potência elétrica contratada (está na fatura) e o gasto anual em combustível. Com isto, qualquer instalador sério lhe dá um número comparável — e quem não pedir nada disto está a adivinhar.
Perguntas frequentes
Se a conta fecha para a sua casa, o passo seguinte é a visita técnica: medimos os radiadores, vemos a caldeira e a potência contratada, e entregamos o preço por escrito em 24 horas — com depósito de inércia, ficha F-Gas e projeto incluídos. Está tudo na página de bombas de calor.
Diga-nos a que temperatura trabalhava a caldeira e quantos elementos têm os radiadores — respondemos com uma avaliação honesta antes de qualquer visita.
Ver bombas de calor →Escolha a sua zona para preços e disponibilidade locais: Lisboa, Setúbal, Oeste, Algarve e Alentejo.