Guia de custos · Atualizado em 2026

Substituir a caldeira por uma bomba de calor: o que custa e o que poupa em 2026

Atualizado em setembro de 20269 min de leituraPor VentoFix · instaladores de AVAC
Resposta rápida: na maior parte das moradias, a caldeira a gás, gasóleo ou propano pode ser substituída por uma bomba de calor ar-água sem trocar os radiadores nem abrir paredes — a máquina liga-se ao circuito de água que já existe. O calor passa a custar 0,043 a 0,060 €/kWh em vez dos 0,13 a 0,26 €/kWh dos combustíveis, e uma substituição chave-na-mão de 7 kW começa nos 5 999 €. O que decide tudo é uma pergunta só: a que temperatura precisam de trabalhar os seus radiadores? É por aí que este guia começa.

Este guia é sobre aquecimento central a água — caldeira, radiadores ou piso radiante. Se a sua casa não tem radiadores e quer aquecê-la com splits, a conta é outra e está no guia do aquecimento com ar condicionado; se o tema é só a água do duche, está no guia da bomba de calor para AQS. Todas as contas usam a tarifa regulada de eletricidade de 2026: 0,2034 €/kWh com IVA a 23%.

Posso manter os radiadores que já tenho?

É a pergunta certa para começar, porque é ela que separa uma substituição simples de um projeto caro. Os radiadores de instalação antiga foram dimensionados para a água a 60–75 °C que uma caldeira produz sem esforço. Uma bomba de calor ar-água rende bem até cerca de 55 °C de impulsão — acima disso o rendimento cai e o custo por kWh sobe. A área do radiador é fixa: com água mais fria, cada radiador entrega menos calor à divisão.

Na prática há três desfechos, por ordem de frequência. Primeiro: os radiadores chegam — se a caldeira estava regulada a 55–60 °C e a casa aquecia, a bomba de calor entra no lugar dela e acabou-se a conversa. Foi o caso de um proprietário que acompanhámos num fórum português: máquina limitada a 55 °C, «não precisa de mais». Segundo: chegam quase — a solução é acrescentar elementos aos dois ou três radiadores mais justos, não trocar a casa toda. Terceiro, mais raro: a casa só aquecia com água muito quente, e aí ou se reforçam os radiadores ou se olha para máquinas de alta temperatura (65–75 °C), que existem, mas rendem menos por kWh e custam mais.

O preço de cada kWh de calor sobe com a temperatura da água nos radiadores Gráfico de barras: com água a 35 graus, piso radiante ou radiadores de baixa temperatura, a mesma máquina entrega calor a 0,043 euros por kWh (SCOP 4,72). Com água a 55 graus, radiadores clássicos, o custo sobe para 0,060 euros por kWh (SCOP 3,39). Acima de 55 graus só com máquinas de alta temperatura, com SCOP mais baixo e custo por kWh maior. A MESMA MÁQUINA, A MESMA CASA — SÓ MUDA A TEMPERATURA DA ÁGUA 0,043 €/kWh água a 35 °C piso radiante · radiadores grandes SCOP 4,72 0,060 €/kWh água a 55 °C radiadores clássicos, sem obras SCOP 3,39 65–75 °C só máquinas de alta temperatura SCOP desce, o kWh encarece acima de 55 °C radiadores pequenos demais € por kWh de calor, tarifa regulada 2026 com IVA (0,2034 €/kWh ÷ SCOP do catálogo Daikin Altherma 3 M)
É este degrau que decide o orçamento: a mesma bomba de calor rende SCOP 4,72 com água a 35 °C e 3,39 a 55 °C (catálogo Daikin Altherma 3 M). Se os radiadores precisarem de mais de 55 °C, a conversa muda para máquinas de alta temperatura — mais caras por kWh.

Quanto custa 1 kWh de calor: caldeira contra bomba de calor

A comparação honesta não é «gás contra eletricidade» — é o custo de cada kWh de calor entregue à casa, já com o rendimento do aparelho dentro. Para as caldeiras usámos 90% de rendimento, o meio da gama real (85 a 92%); quem tem uma caldeira velha rende menos e paga mais por kWh do que a tabela mostra.

Como aquece a água€ por kWh de calorComo se chega lá
Caldeira a gasóleo de aquecimento≈ 0,2352,114 €/L ÷ 10 kWh/L ÷ 0,90
Caldeira a propano de garrafa (45 kg)0,21–0,26110–134 € ÷ 576 kWh ÷ 0,90
Caldeira a gás natural canalizado0,13–0,140,115–0,130 €/kWh ÷ 0,90
Bomba de calor ar-água, radiadores a 55 °C0,0600,2034 ÷ 3,39
A mesma máquina com água a 35 °C0,0430,2034 ÷ 4,72
A mesma máquina, a aquecer em horas de vazio0,0390,1337 ÷ 3,39

Fontes: gasóleo de aquecimento — preço médio nacional dos postos que reportam à DGEG, 10 de setembro de 2026; propano — garrafa de 45 kg entre o preço de venda em revendedor e o máximo registado pela ENSE, com 12,8 kWh por kg; eletricidade — termo de energia da tarifa regulada ERSE 2026 com IVA a 23% (vazio do bi-horário: 0,1337 €/kWh); SCOP — catálogo Daikin Altherma 3 M, água a 35 °C e a 55 °C.

Leia a tabela de baixo para cima: mesmo no pior caso da bomba de calor — radiadores antigos, água a 55 °C, tarifa simples — o kWh de calor custa quase quatro vezes menos do que com gasóleo ou propano. Com gás natural a distância encurta para cerca de duas vezes, e é por isso que a resposta à pergunta «vale a pena?» depende do combustível de onde vem — voltamos a isso nas contas e nas perguntas finais.

Quanto custa substituir, e o que tem de estar no orçamento

Uma substituição direta — a máquina no lugar da caldeira, radiadores mantidos — custa na nossa tabela de 2026, chave-na-mão com IVA, a partir de 5 999 € para um kit de 7 kW, chegando aos 8 999 € nas zonas com mais deslocação; a versão de 12 kW com produção de águas quentes vai de 7 499 a 11 999 €. Os preços por zona, com o que cada kit inclui, estão na página de bombas de calor — aqui interessa outra coisa: o que tem de estar dentro de qualquer orçamento, seja nosso ou de outro instalador.

Mais importante do que o número final é o que está lá dentro. Um orçamento sério para ar-água tem de incluir o depósito de inércia, os vasos de expansão, a ligação às águas quentes quando aplicável, a remoção da caldeira antiga, a ficha de intervenção F-Gas e o projeto técnico — o cálculo das perdas da casa que dita os kW da máquina. Quando dois orçamentos para a mesma moradia diferem muito, a diferença está quase sempre aqui: vimos o caso real de uma casa com seis radiadores que recebeu uma proposta de 8,5 kW com projeto, de um instalador independente, e outra de 12 kW de uma grande superfície — sem cálculo. Quatro kW a mais não são «reserva»: são máquina paga a mais e a trabalhar fora do ponto ótimo durante quinze anos.

A bomba de calor ar-água entra no lugar da caldeira, no mesmo circuito de água Esquema antes e depois: à esquerda, a caldeira a gás ou gasóleo ligada aos radiadores e ao depósito de água quente; à direita, a bomba de calor ar-água ligada exatamente aos mesmos radiadores e ao mesmo depósito. O que muda é a máquina; o circuito de água, os radiadores e a água quente mantêm-se. ANTES · CALDEIRA DEPOIS · BOMBA DE CALOR AR-ÁGUA Caldeira gasóleo · propano · gás Radiadores Água quente Unidade exterior retira calor do ar da rua Módulo Os mesmos radiadores A mesma água quente
A substituição é «no lugar da caldeira»: a bomba de calor ar-água liga-se ao circuito de água que já existe. Radiadores, tubagem e água quente sanitária mantêm-se; o que sai de casa é o combustível.

Contas feitas para uma moradia a propano, linha a linha

Uma moradia de uns 120 m² com seis radiadores, aquecida cinco meses por ano, precisa de qualquer coisa como 6 000 kWh de calor por época. Eis o que isso custa antes e depois, com os preços de setembro de 2026:

LinhaCaldeira a propanoBomba de calor (mesmos radiadores)
Energia comprada6 000 ÷ 0,90 ÷ 12,8 ≈ 520 kg — 11 a 12 garrafas de 45 kg6 000 ÷ 3,39 ≈ 1 770 kWh de eletricidade
Custo da época1 300–1 500 €≈ 360 €
Manutenção anual≈ 150 € (obrigatória)revisão recomendada, valor semelhante
Diferença por inverno≈ 1 000 € a favor da bomba de calor

Com o kit de 5 999 a 6 299 €, a poupança paga a máquina em cerca de seis invernos — e contámos a manutenção dos dois lados como empate, de propósito, para a conta não ficar bonita à custa de esquecer a revisão da bomba de calor. A conta melhora se mudar para bi-horário e concentrar o aquecimento nas horas de vazio, e piora num inverno suave em que se aquece menos: menos consumo significa menos poupança. Quem parte de gasóleo chega a números quase iguais — 6 000 kWh são uns 670 litros, cerca de 1 400 € ao preço médio de hoje.

O que muda no dia a dia: a casa aquece de outra maneira

Isto é o que ninguém diz no orçamento e é a principal queixa de quem não foi avisado. Uma caldeira despeja 20 ou 25 kW e recupera uma casa fria em duas ou três horas; um sistema ar-água de 7 kW não — e não é suposto. Ela foi pensada para manter a casa na temperatura, a modular potência baixa de forma contínua. Quem a usa como usava a caldeira — desligar tudo, chegar a casa, ligar no máximo — obriga a resistência elétrica de apoio a entrar, e a resistência aquece a preço de termoventilador: 0,203 €/kWh, o triplo do compressor.

Os radiadores também mudam de temperamento: com água a 45–55 °C ficam mornos em vez de escaldantes, e é normal — estão a entregar o mesmo calor durante mais horas. O que se ganha é uma casa a temperatura constante e uma fatura que se vê ao mês, não à garrafa; o que se perde é o arranque-relâmpago e o hábito de aquecer «só quando é preciso». Este perfil de funcionamento longo e de madrugada é, já agora, o cliente ideal do bi-horário: as horas de vazio a 0,1337 €/kWh descem o calor a 55 °C para 0,039 €/kWh — seis vezes e meia mais barato do que o propano.

O custo de adiar a decisão

Adiar também tem preço, e é fácil de calcular: é a fatura de combustível de mais um inverno. Para a moradia do exemplo, cada época adiada são 1 300 a 1 500 € de propano ou gasóleo mais 150 € de manutenção obrigatória da caldeira — dinheiro que aquece a casa uma vez e desaparece. E a tendência não ajuda: o relatório mensal da ENSE registou uma subida de 32% no gasóleo num ano, enquanto o termo de energia da tarifa regulada de eletricidade é fixado pela ERSE e mudou pouco. A cada inverno que passa, a distância entre as duas colunas da tabela alarga.

Os erros que vemos nas moradias

Comprar kW sem cálculo. A máquina certa sai do cálculo das perdas da casa, não do tamanho da que lá estava — a caldeira antiga estava quase de certeza sobredimensionada. Desligar à noite. Já explicámos porquê: resistência de apoio a preço triplo. Assinar sem verificar os radiadores. Se ninguém lhe perguntou a que temperatura trabalhava a caldeira nem contou os elementos dos radiadores, o orçamento foi feito às cegas. Escolher pela marca e não pelo instalador. Em ar-água, o desenho hidráulico — inércia, caudais, equilíbrio dos radiadores — pesa mais no resultado do que o logótipo da máquina; uma boa máquina mal instalada rende pior do que uma média bem instalada.

Antes de pedir orçamentos, junte quatro coisas: fotografias dos radiadores com o número de elementos de cada um, a chapa de características da caldeira, a potência elétrica contratada (está na fatura) e o gasto anual em combustível. Com isto, qualquer instalador sério lhe dá um número comparável — e quem não pedir nada disto está a adivinhar.

Perguntas frequentes

Pelo termóstato da caldeira, não pelo aspeto dos radiadores. Se no inverno passado a caldeira estava regulada para 55 ou 60 °C e a casa aquecia bem, os radiadores que tem chegam para o ar-água — foi exatamente esse o caso de um dono de moradia que acompanhámos num fórum: a máquina limitada a 55 °C de impulsão e «não precisa de mais». Se a caldeira só aquecia a casa a 70 ou 75 °C, os radiadores estão justos para a área que servem, e a solução costuma ser acrescentar elementos aos radiadores mais pequenos — não trocar tudo.
É o erro mais caro que se pode fazer com esta máquina. Uma caldeira recupera uma casa fria numa hora; uma bomba de calor não tem essa potência instantânea e, ao encontrar a casa gelada de manhã, liga a resistência elétrica de apoio — que aquece a 0,203 €/kWh, três a quatro vezes o custo do compressor. Quem tem uma destas máquinas mantém a casa: de noite baixa-se o termóstato 2 ou 3 °C e deixa-se a máquina modular no mínimo.
Na maioria das moradias, não. Uma máquina de 7 a 8 kW térmicos puxa tipicamente 2 a 2,5 kW elétricos em funcionamento normal, e um contrato de 6,9 kVA acomoda isso ao lado do resto da casa. Vale a pena não subir a potência sem fazer contas: acima de 6,9 kVA perde-se o IVA a 6% nos primeiros 200 kWh de cada 30 dias (verba 2.38 da Lista I do CIVA) e paga-se um termo de potência diário mais alto. É uma verificação que fazemos na visita técnica, com a resistência de apoio incluída na conta.
Vindo de gasóleo, propano ou butano, a conta do nosso exemplo dá cerca de seis invernos — poupança na ordem dos 1 000 € por época para uma moradia que gastava 1 300 a 1 500 € em combustível. Vindo de gás natural canalizado a poupança é menor, na ordem dos 400 a 500 € por ano, e o retorno passa dos dez: nesse caso a substituição faz mais sentido quando a caldeira chega ao fim da vida e o dinheiro da caldeira nova entra na conta de qualquer forma.
Pode fazer. Os nossos kits Premium de 12 kW incluem a produção de águas quentes sanitárias no mesmo sistema; nos kits de 7 kW pode manter-se o esquentador ou termoacumulador que já tem. Se o seu problema é só a água quente — sem aquecimento central — a máquina certa é outra e mais barata: está explicada no nosso guia da bomba de calor para água quente.

Se a conta fecha para a sua casa, o passo seguinte é a visita técnica: medimos os radiadores, vemos a caldeira e a potência contratada, e entregamos o preço por escrito em 24 horas — com depósito de inércia, ficha F-Gas e projeto incluídos. Está tudo na página de bombas de calor.

Quer saber se os seus radiadores servem?

Diga-nos a que temperatura trabalhava a caldeira e quantos elementos têm os radiadores — respondemos com uma avaliação honesta antes de qualquer visita.

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